Um momento a sós, connosco

Às vezes é mesmo necessário passarmos um tempo apenas com a nossa companhia. Em alguns dias é assustador e gera algum pânico. Havia dias em que sentia que se não houvesse alguém que falasse comigo, que me escutasse, que me visse, eu entrava em paranóia, num desassossego tal que sentia estar em rota de colisão fatal... comigo mesma. Para mim é das terapias mais difíceis de se fazer.
Vi muitas pessoas na mesma situação que eu, que se separaram dos seus respectivos e viram-se de caras com uma rotina diferente. Foi uma espectadora silenciosa de algumas vidas em que apercebi-me que faziam de tudo para evitarem estar sozinhos. Páginas e páginas do facebook com post diários de grandes borgas com amigos, sem fim, em modo non stop. Parece tudo muito divertido e podemos até dar por nós a pensar que eles é que têm sorte porque estão a encarar a mudança em grande. Mas depois de algum tempo a reflectir sobre o assunto cheguei à conclusão que tudo o que essas pessoas fizeram foi, unicamente, evitar pensar e vivenciar a mudança. Só eles, por detrás daqueles sorrisos e abraços de festa com os amigos, é que sabem o quanto deveria estar a ser difícil deitar na cama à noite, no silêncio, sozinhos. E por isso, quanto mais tarde isso acontecesse melhor.
É mau. Encarar a realidade é péssimo principalmente para quem vê os seus sonhos serem calcados, desvalorizados, para quem tem a noção que falhou, uma vez mais, que tudo o que idealizou não passou disso mesmo, de uma ilusão. 
É mau quando damos por nós, em modo repeat, a relembrar o momento do final, os bons momentos que nunca mais vão repetir-se, todos os porquês de estarmos de novo numa situação completamente oposta ao amor, aquele amor que desejávamos ser um cadinho mais eterno. Mas comparo tudo isso a um drogado que tem de passar pela fase da ressaca, sozinho, com os seus demónios e fantasmas, até se sentir limpo. O amor é químico por isso a metáfora poderá não estar muito longe da realidade.
É fundamental passar a solitária. É mesmo um mal necessário para que possamos dizer adeus ao passado de forma tranquila, sem mágoa, sem receio, sem mau estar. Custa horrores mas no final vale bem a pena pois fizemos as pazes connosco, com o mundo, com a pessoa e estamos a lamber as feridas de outra forma, já atentos ao que nos rodeia, ao que pode aparecer de novo, à felicidade que sabemos merecer.
O passo seguinte? Cair de amores de novo, por nós mesmos!

2 comentários:

  1. É bem verdade o que dizes, reparo nisso com frequência. E agora força para o passo seguinte... ;)

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    1. Vou comprar flores e bombons para mim, tenho de me cortejar :D

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