Calar para não falar - doí mas não mata

A mente quer escrever mas os dedos não teclam o que preciso exprimir. Há um certo perigo na palavra escrita que faz-nos recolher no nosso pensamento e deixarmos por dizer o que mais queremos falar. Pelo nosso bem-estar deveríamos desabafar mas também pelo nosso bem-estar permanecemos calados.
O nó na garganta aperta...
Mantemos a calma porque não queremos mostrar que enfraquecemos, que estamos vulneráveis, que estamos magoados, que finalmente abriram uma brecha naquele muro que demoramos tanto tempo a construir à nossa volta.
Não quero com isto dizer que voltamos à estaca zero. Nem por sombras. Já não somos os mesmos meninos que éramos, e na construção desse muro, dessa barreira, fomos aprendendo a ser diferentes, mais fortes, mais orgulhosos, mais próximos de nós mesmos. Magoamos-nos mas não com a mesma intensidade. Já não vamos tão ao fundo, já não sentimos tanto no estômago aquele soco que sufoca, que parece que mata. O ego está lá para dar-nos a lapada que necessitamos para despertar e erguermos-nos mal sentimos o perigo a aproximar-se.
Mas o ego tanto é nosso amigo para estender-nos a mão como nosso inimigo para tapar-nos a luz com a qual devemos ver o mundo à nossa volta, a luz que indica-nos o que fazer a seguir para prosseguir caminho de cabeça erguida e olhos postos no que realmente importa.
Hoje tenho a mão do ego a tapar-me o rosto. Só vejo-me a mim e ao meu orgulho, ao que penso de mal e o mal que isso me provoca. Talvez amanhã, com o raiar de um novo sol, a luz se esquive às mãos do ego e acorde-me primeiro. Talvez...

Moods

Porque é preciso alguém estar completamente fodi** para o mundo todo ter alguma coisa a dizer? Só no fundo do poço ou na merd* é que valemos uma palavra de consideração?

Humor do dia

Uma noite triste, um dia triste...
Acho que vou dormir as horas que não dormi e refugiar-me um pouco. Tem vezes que este mundo cansa-me demais.

E agora?

Encontrar o nosso caminho deve ser a tarefa mais complicada que temos na vida. Saber exactamente para onde irmos, em que sentido dar o primeiro passo, conseguir ouvir a nossa intuição, a nossa voz interna.
O que sinto, neste exacto momento, é um adormecimento da alma, como se estivesse apenas aqui o meu corpo a vivenciar cada segundo do dia sem qualquer propósito, sem qualquer rumo.
Onde está a motivação? Onde está a consciência que guia-me e ilumina-me quando mais preciso? O que devo fazer agora se tudo o que até agora parecia-me normal simplesmente perdeu o interesse? Sinto que tenho que estar noutro lugar, noutra sintonia, numa energia diferente. Sinto que preciso de um raio de força que, vinda do lado externo e de dentro de mim, expluda, me impulsione, me desperte, me leve a consciência até, pelo menos, ao vislumbre do que devo fazer agora que a vida testa-me de novo.
Fala comigo, por favor, para eu saber que sou precisa para algo...