Novos caminhos

Depois de alguns dias de 'namoro' comigo mesma e de uma introspecção cuidadosamente feita cheguei à conclusão que tenho deixado de parte a vida que gostaria de viver e as coisas que gostaria de fazer para não abrir mão dos meus amigos. Infelizmente os gostos das pessoas desencontram-se no tempo e nem sempre conseguimos ter quem possa acompanhar-nos. É nesse estágio que me encontro. Tenho vivido os gostos dos outros, as vontades dos outros para conseguir estar presente e acompanha-los mas não posso mais cometer este pecado comigo mesma. Estou disposta a caminhar sozinha se for essa a única solução, apenas não quero mais sentir que gostaria antes de ter ido para ali em vez de para além, ou ter feito isto em vez daquilo. Não abro mão de quem conheço e de quem tenho no meu coração e na minha vida e sei que entenderão a minha decisão da mesma forma que entendo as suas paixões e o facto de serem diferentes das minhas. Sabemos que, de quando em vez, coincidimos em vontades e sempre que isso acontecer estaremos cá para o fazer, mas nos restantes momentos eu não estarei mais lá mas sim onde sinto que devo estar. 

Podia ser um dia 'não' mas é quase

Hoje é um dia 'quase não'. Não fosse o facto de ter adormecido, o que provocou um salto olímpico da cama logo pela manhã seguido de uma corrida com e sem obstáculos para arranjar-me convenientemente para o trabalho, teria sido até um bonito despertar como tem acontecido nas minhas manhãs de há duas semanas para cá. Quais as consequências deste estúpido acordar? Um enorme estado de confusão que dura desde os primeiros segundos em que eu olhei para o relógio e apercebi-me que ignorei por completo a segunda chamada do meu alarme e um estado de humor que faz-me desejar estar em todo lado menos onde estou, esteja eu onde estiver.
Detesto dias assim. Tenho conseguido nestes últimos dias permanecer numa calmaria até bem boa; tenho estado numa fase caracterizada por uma paz de espírito, racionalidade e mesmo felicidade onde dou por mim a sorrir simplesmente porque sim. 
Vou para a caminha de bem comigo e com a vida e adormeço sempre por volta da mesma hora, não por uma questão de rotina mas porque o relógio interno assim o dita; tenho tido noites relaxadas com poucos sonhos factos que contribuem para um despertar leve, com a luz do dia já a entrar pelo quarto e eu a fazer um enorme esforço para abrir os olhos, um de cada vez para não esforçar e ir despertando, aos poucos, sem sobressaltos. O que aconteceu hoje vai para além de tudo o que é normal em mim. Não ouvir o alarme (o telemóvel desperta mesmo ao lado das minhas orelhas pois está pousado na outra almofada) e eu ouço muito bem e ter a plena consciência que minha cabeça repetiu vezes seguidas que o alarme dois estava a demorar muito a tocar mas na mesma assim não mexi o braço para ver as horas...Mas que raio! 
A juntar a isso não pude deixar o quarto minimamente organizado como gosto, com a caminha feita nem tomei meu pequeno-almoço na paz do meu lar como me dá prazer. Como é certo e sabido, basta acordarmos do lado errado da cama para todo o dia parecer estar do avesso e o meu não está tão radicalmente diferente mas sinto-o desagradável, desconfortável e vem ao de cima o meu mau-feitio. Não fosse ainda ter sobras internas de paz de espírito e bem-estar e hoje seria mesmo um dia não. Não é não, mas quase...