Os meus pais

Verdade seja dita, o que seria de mim sem a família?
Mesmo já não partilhando o tecto com os meus pais não deixo, de modo algum, que nenhum laço se quebre e vivo como se duas casas tivesse. 
A vida ensina-nos que, durante muitos anos e principalmente na passagem pela adolescência, damos valor às pessoas erradas e acabamos por colocar de lado quem incondicionalmente ama-nos e quer-nos bem, o melhor da vida. Hoje sinto-me de novo uma menina que precisa do carinho e do colo dos pais, não porque sou mimada porque até o sou, mas porque não existe mais ninguém que consiga fazer-me sentir tão especial e bem-vinda, tão acarinhada e amada, tão eu na minha maior naturalidade.
São eles que estão presentes em todos os momentos, são eles que aturam o meu mau-feitio, e refilando, sabem que passa e nada muda, o amor continua lá sem questões.
A vida vai passando e as pessoas vão desaparecendo, vão diminuindo a sua presença, a sua importância e há aquele momento em que apercebemos-nos que, por entre as pessoas que vão e vêm estão os sempre presentes e são eles, os meus pais, o meu pilar, o meu porto seguro. E se há momento na vida que olho para cima e agradeço estarem por perto é hoje, no presente senão não me garantia. Mas é que não me garantia mesmo!
Por tudo o que de bom existe na vida, ainda bem que tenho-os comigo.
Mesmo não conseguindo agradecer de forma altruísta o facto de terem-me dado a vida, agradeço caminharem comigo até onde conseguirmos e sempre que possível, de sorriso no rosto.

Acabou

Fim das férias e retorno ao inferno...ninguém merece!

Não sei mais quem sou

"Falta-te força de vontade" disse-mo a minha mãe. Não teria arranjado melhor definição.
Quando perdi-a, como, onde, não faço ideia mas que já não a tenho comigo é certo e faz tempo.
Andava perdida sem saber como expressar o que sinto, o que vivo, e a minha ausência de praticamente tudo o que era normal na minha vida retrata esse estado de espírito.
Pensei que fosse fácil recuperar-me mas não o é. Falta-me a força de vontade de fazê-lo, o propósito, a capacidade de erguer-me, de levantar o rosto e olhar em frente sem questionar-me no segundo a seguir porquê fazê-lo se pouco ou nada importa.
Perdi-me dentro de mim. Sinto-me rejeitada pelo mundo, culpada pelas minhas escolhas, inútil, sem piada, sem importância.
Gostava que as minhas palavras ecoassem e trouxessem de volta a minha força. Ninguém sabe como custa-me sorrir, ninguém sabe como tem sido difícil aceitar-me, aceitar que tudo à minha volta mudou e estive distraída tempo demais para agora acompanhar o ritmo.
Procuro em tudo o que posso uma 'mão' que se estenda até mim e me agarre enquanto há tempo. Não o escondo nas minhas palavras que sofro, que vivo triste, que estou sensível até demais.
Por onde passo quase nada vejo. A vida para os outros tem significado, tem um plano, uma estrutura. A minha passou a ser apenas o nada e não tenho ideia como mudar isso.
Cansei-me de tentar ouvir-me, de tentar escutar a 'voz interior' que dizem conter as respostas que necessitamos para viver a vida mas o ruído que me cerca passou a ser demasiado e já não escuto nada a não ser o chorar da minha alma.
Se há um motivo que Deus mo diga qual é antes que lhe vá perguntar directamente...

Not a bedtime story

Não gosto da hora de ir dormir. Sei que ali inicia-se um turbilhão de imagens, emoções e sonhos e na manhã que chegará não terei vontade de despertar, uma vez mais.
Gostava de ter a capacidade de fechar os olhos apenas por uns segundos e descansar, ser suficiente apenas esse pequeno lapso de tempo, esse pequeno momento e até a vida seria melhor aproveitada.
Gosto de dormir quando já lá estou mas não gosto de ter de fazê-lo, a obrigação do corpo ceder ao cansaço. É a perda de controlo que detesto sentir e sentirei quando a manha chegar e questionar-me uma vez mais porquê acordar, qual o propósito, porquê dar continuidade a algo que não me apraz, não me satisfaz.
Não gosto da minha mente quando acordo, é triste, melancólica, aborrecida e consegue fazer-se perder em pensamentos, na própria essência da vida sem que me dê conta.
Acordo cansada e preferia não ter dormido.
Gostava de treinar o meu corpo para dormir cada vez menos. Se ele um dia tem de padecer que seja porque estive desperta tempo demais e não com medo de acordar.

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Movimento

Quando tudo está mal, concentra-te em ti. Quando tudo à tua volta está a ruir, pensa que o movimento do Universo quando quer que tu entres dentro de ti próprio, faz ruir tudo à sua volta. É um movimento perpétuo. Tu sais da tua energia para ir buscar segurança nos outros. Tudo o que é fora de nós é mais fácil. Tudo o que é fora de nós é mais confortável. É seguro.

Entrar dentro de ti próprio é que é difícil. Aí dentro estão tristezas, mágoas, ressentimentos e admoestações. Aí dentro está escuro. Aí dentro está frio. Por isso, é compreensível que fujas de aí de dentro a sete pés. E te agarres aos outros. E ao te apegares aos outros, estás a provocar o Universo para agir. O Universo não pode permitir que te mantenhas fora de ti. Portanto, vai ter de te retirar a segurança que encontravas no teu relacionamento com os outros. E como é que o Universo te retira essa segurança? Simples. Quebra a tua ilusão de que esses relacionamentos fossem altamente satisfatórios. E como é que o Universo quebra a tua ilusão? Desiludindo-te.

De repente, sem porquê, as pessoas nas quais tu depositavas tanta confiança, zangam-se contigo, fazem asneiras, não te dão a atenção devida, ficam doentes, morrem. Todo este movimento de perder os outros – ou melhor, a ilusão de relação idílica que tens com os outros – tem um único e singelo propósito. Fazer-te olhar para ti. Sentir a tua própria energia.

Faz-te ver-te. Faz- te criar alguém que gostarias de ser. Que te orgulhas de ser. Todo este movimento coloca-te indubitavelmente na tua própria dimensão emocional. Faz-te sentir.

Alexandra Solnado