Seca forma de vida

Tenho a noção de que se fosse escrever a história da minha vida seria uma valente seca para os leitores e hipotéticos interessados.
E foi com esta clareza de pensamento que tive a noção de que necessito 'apimentar' mais a minha vida e torna-la mais 'apetecível' não aos olhos dos outros mas aos meus próprios olhos. O fundamental é, primeiramente, vende-la a mim, convencer-me de que trata-se de algo de ser lido e revivido.
Consigo auto-analisar e 'do alto' observar a minha vida. Exteriorizar-me por assim dizer. Nessa observação deparo-me com a mais comum e vulgar existência regada por uma boa dose de 'nada de especial' e uma pitada de 'tudo igual todos os dias'. Não que sinta-me descontente porque sei que tenho mais é que agradecer variadíssimas coisas que acompanham a minha existência mas há uma pequena necessidade de dar uma cor nova a esta forma de estar.
E enquanto escrevo penso em algo que tem-me interessado nos últimos tempos. Hoje fiquei a saber do seu nome...! Quem sabe não tenho um capítulo novo a escrever?

Manifesto de descontentamento pelo patronato

Há coisas que simplesmente ultrapassam o meu entendimento.
As constantes reclamações vindas de quem aufere mensalmente quase mais o quadruplo do que eu e vive na agonia constante de não conseguir cumprir com os seus compromissos. Andam sempre nervosos, enervam os outros, chateiam os outros e até ofendem os outros porque não conseguem aguentar a pressão da frustração que constroem na sua realidade, uma realidade completamente paralela, a meu ver.
São os primeiros a não fazer nada, trabalham menos, e na mesma assim, conseguem ser os primeiros a apontar defeitos ao trabalho dos outros, ao esforço que os outros colocam no que fazem falando do alto da burra como se tudo fosse fácil para eles e o resto não passa de uma cambada de incompetentes. Claro está que, quando vão eles fazer o trabalho, deparam-se com dificuldades, acrescidas com a sua própria ignorância, mas também não conseguem ceder e admitir que estavam errados.
São pessoínhas que não sabem estar, que cresceram num ambiente que mostrou-lhes que calcar os outros fazia parte e não sabem como é viver sem o fazer. Alimentam o seu ego com comentários, se calhar a seu ver e na sua mentalidade mesquinha, motivadores porque poderão impulsionar quem os ouve, mas que, na verdade, deixam o outro agoniado, desmotivado, ferido pela falta de reconhecimento e constante 'pancada' que leva no quotidiano.
O patronato está sem dúvida em crise.