Sonhei contigo

Na saga dos sonhos reais mais uma vez tive uma boa experiência na outra noite e hoje escrevo para alguém especial.

No outro dia sonhei contigo, sim, contigo. Foi muito bom termos estado juntos durante o sonho. Foste não só uma companhia agradável e divertida como fizeste-me sentir a pessoa mais amada do mundo. Pena não saber quem tu és.
Acordei com uma sensação de alegria e frustração ao mesmo tempo depois de ter-me apercebido que, no momento em que iria ver o teu rosto, despertei. Mas na mesma assim recordo com muito carinho aqueles breves momentos em que só vi o teu sorriso. Sei que nos rimos muito, que nos divertimos imenso e que estávamos encantados os dois por toda a emoção que nos envolvia. Recordo ver-te parado do outro lado da rua, iluminado pelo imenso sol que se fazia sentir. Continuava apenas a ver o teu sorriso e ainda sinto o calor no peito pelo momento em que percebi-me que estavas ali à minha espera, feliz por ver-me. Pena não ter chegado a tempo de olhar-te e abraçar-te antes de ir-me. A realidade chamou-me antes de puder fazê-lo e sinto uma leve tristeza por isso. 
Esperei ver-te na noite seguinte mas não te encontrei.
Talvez um dia, na realidade, eu reconheça o teu sorriso na multidão e quando isso acontecer nada vai impedir-me de abraçar-te. Prometo.

Solidão

Por mais que doa, admito a minha solidão. Não a queria para mim, rejeitei-a vezes suficientes com lágrimas nos olhos e com lágrimas nos olhos aceito-a por ser plenamente real. 
Não consigo ter pensamentos positivos nesta fase, não consigo, nem vale a pena o esforço em tentar fazê-lo pois só causa mais frustração. 
Tantos sonhos, tantas esperanças, tantas ideias que tenho e aqui estou eu vestida com um sorriso que não é meu mas que permite-me esconder o que de mais doloroso poderia sentir: solidão.
Onde? É o que mais questiono. Onde erro? Onde falho? Onde poderia fazer diferente? Onde está? 
Não entendo por mais que tente, por mais que me esforce. Não consigo compreender porque simplesmente não faz sentido. E já cansei-me de culpabilizar-me sem saber bem onde é que erro apesar de saber que só pode ser um erro meu. 
Nem sei dizer a quantidade de ideias que passam-me pela cabeça. De afastar-me e assumir esta solidão de uma vez só, de continuar esta estúpida rotina solitária, de fazer mil e uma actividades e conhecer mil e uma caras novas mesmo sabendo que, nos últimos tempos, estar no meio da multidão não faz-me sentir menos solitária. Resumindo, as hipóteses não trazem alegria ou eu é que ainda não a vejo. Só sei que não posso continuar assim mas não sei por onde começar...

Simples não é?


“Um corpo que se encaixa no meu e uma conversa que me mantém fascinada.”

Sonhos

Não será a primeira nem a última vez que escrevo acerca dos meus sonhos. Tem noites que realmente as imagens mentais que vivencio são por demais e continuo a acordar cansada por isso. Mas a minha veia masoquista insiste nesta prática de (re)produção mental da minha vida, numa crença de que consigo mesmo retirar alguma informação proveitosa do que é-me mostrado enquanto durmo.
Não descrevo todos os sonhos pois eles acabam por ser um pouco confusos até para mim se não lhes der atenção, e é certo que se não os transcrevo logo muita informação vai perdendo-se ao longo do dia e aí ficam mesmo desfragmentados.
Mas no outro dia tive um sonho que até agora recordo ao pormenor e com alguma dificuldade não consigo evitar uma pontada no peito de cada vez que o relembro. Sonhei com a minha falecida avó materna. Demasiado realista é como descrevo este sonho, tão real que ainda agora consigo sentir, como se estivesse estado mesmo lá, o abraço que trocamos. Uma mistura de medo, saudade e alegria foram os sentimentos presentes. Assustei-me com a presença dela e num primeiro instinto comecei a correr mas parei pois não fazia sentido fugir, era a minha avó ali, ela estava ali a olhar para mim com um olhar tímido, receosa por assustar-me e desconhecendo se eu a conseguia ver ou não, mas era ela e estava presente para mim e por isso voltei para trás. Dei-lhe um abraço como nunca lhe dei em vida e senti-me tão segura, tão profundamente bem que criei em mim um saudosismo por esse abraço que tem vezes que desejo voltar a sonha-lo. Ontem acabei por adormecer com algumas lágrimas nos olhos mas não voltei a sonhar com ela.

Procuro a simplicidade do sentimento

Eu queria algo que simplesmente fluísse como o vento. Que a sua leveza fizesse de mim pena, que solta e livre esvoaça pelos céus sem temer onde cair, sem sequer tomar como hipótese cair.
Receio nunca mais vir a sentir tais sentimentos, sentir-me eu e 'nós', protegida, segura, confiante de um hoje e de um amanhã sólidos e sem temores.
Queria fazer planos, sorrir de contentamento por um ontem que correu bem e que traz um hoje de boas memórias, de bons feelings, de ternuras trocadas que permanecem no corpo e no olhar. Queria a partir desse hoje, tão rico, construir um amanhã de sonhos, de promessas e de juras que pelo bem-estar provocados fossem a minha alegria e não o vazio que vejo quando sorrateiramente espreito pela frincha da porta do futuro.
Deito-me à noite no silêncio e tento entender a dificuldade em encontrar estes sentimentos de prazer e lamento que tanta coisa permaneça perdida, calada, guardada, remetida a uma existência quase nula sem motivo algum que o justifique porque eu estou aqui, eu quero, eu sonho, eu vivo para isso mas no meu caminho apenas encontro ilusões, vislumbres de algo que poderia ser mas não o é, muros de pedra que já estou cansada de tentar avançar simplesmente porque creio que para realmente acontecer nem muros deveriam existir, ou no mínimo, uma mão estendida sobre o muro para me puxar para um plano que acorde tudo o que com o tempo vai adormecendo. 
O simples tornou-se o mais complicado, talvez mesmo o mais impossível.

Um mimo dos bons


Obrigada Sofia.

Posso?

Permites-me chorar até me arderem os olhos, doer-me a cabeça e o corpo e sentir-me fraca demais? Permites-me?
Permites-me sentir o que demais triste e profundo vai dentro da minha alma sem ter de continuamente engolir essa tristeza e fingir que ela não está lá quando na verdade corroí-me a cada milésimo de segundo que passa? Posso, hoje, só por hoje, dar-me ao inferno logo de uma vez para puder reerguer-me das cinzas e voltar ao que era, mais forte, mais eu? 
Preciso, oh meu Deus como preciso, de calma, de força, de coragem, de algo que limpe esta angústia, esta falsa energia que me leva a querer mexer-me quando não quero ir a lado algum, apenas aqui ficar e nada sentir...
Permites-me por agora, admitir a minha depressão com a promessa de que amanhã, caso eu volte, ser alguém a caminhar de cabeça um pouquinho mais erguida?

Bom dia (not)!

Hoje foi um despertar daqueles que já não vivia há uns meses. Consegui passar uma noite sem sobressaltos e até sentir-me bem-disposta, deitei-me com a consciência mais ou menos tranquila mas o despertar trouxe consigo aquele 'baque' da realidade que me desespera. Quando abrimos os olhos para o mundo de manhã ainda temos uns segundos de paz, passados esses segundos a nossa mente, pelo menos a minha assim o faz, bombardeia-nos com as questões pesadas que ficaram pendentes ou solucionadas da pior maneira no dia e dias anteriores.
Queria tanto mas tanto que tudo isto passasse e voltasse a sentir a alegria que até há umas poucas semanas tinham-me enchido de esperança. Não entendo mesmo porque estas coisas têm de acontecer nem entendo porque acontecem sempre da mesma forma comigo.  
Consegues dar a volta e colocar tudo no sítio? Há alguma forma de reverter isto, de solucionar isto da melhor maneira e sentir de novo a calma que me invadia? 

O jogo sem fair-play

Tenho mais noção, neste momento, das coisas que estão sobre o meu controlo e as que não estão, tudo aquilo que consigo manipular e o que simplesmente tenho que esperar para ver o que acontece e é este 'ver o que acontece' que nos últimos tempos tem, de novo, queimado alguns fusíveis mentais. Este jogo do 'deixa rolar' começa a ser demasiado repetitivo na minha vida e sem grandes seguranças e não digo que preciso de ter tudo tabulado na minha vida, que não gosto de surpresas, que sinto fascínio pelo que desconheço, apenas tenho noção que trata-se de uma situação que conheço bem demais e que sei bem como termina por já o ter jogado vezes sem fim. E tudo o que queria experimentar neste momento era o que já vivi aqui há uns anos, naquelas alturas em que, pela idade, somos tão menos exigentes que parece tudo ser mais fácil e divertido. Dou por mim a pensar qual a dificuldade em construir algo semelhante, calmo, seguro e com a oportunidade de planear o amanha com a certeza que o amanha existe. Guardo lembranças dessas alturas e com muita pena sinto que vivenciar algo desse género agora parece uma tarefa para os agentes da missão impossível.
Estou, neste momento, a medir prós e contras deste jogo de espera para saber se realmente apetece-me passar por tudo de novo. Por um lado tenho um optimista 'aguarda', por outro um pessimista 'desiste', e apesar de ser uma pessoa optimista, e depois de tantas vezes passar pela mesma lição, dou por mim inclinada para o 'desiste'. Não por ser desistente, que até nem sou, sou insistente e paciente até perceber que não vale a pena lutar mais ou que já não há adversário à altura, o cansaço é que dita que realmente viver sempre a mesma coisa não me traz benefício algum mesmo que seja algo que eu quisesse imenso que corresse bem e até queria por sentir nas minhas entranhas que estou perante algo que esperava há muito tempo. 
Resta-me continuar o dia-a-dia sem grandes planos, sem stresses ou pressões e no roll-play de que nada existe, nada acontece, nada me foi apresentado nem passou a fazer parte do meu pensamento. Torna mais fácil aceitar a desistência caso seja mesmo esse o melhor caminho a seguir...outra vez!

De passagem

De volta! Talvez não definitivamente mas por hoje, estou de volta. A saudade bateu sob a forma de 'falta de escrita'. 
Nem sei mesmo há quanto tempo parei de escrever cingindo-me apenas a ver e a reler frases e textos escritos por outras mãos que não as minhas. Parte de mim quis assim ficar por achar ser melhor, por pensar que exposição mental em demasia estava a colocar-me numa posição de fraqueza, de fragilidade perante mim e o mundo, mas à medida que o tempo avança dou por mim a sentir falta do 'esvaziamento' mental que a escrita me provoca, a sensação de alívio que traz consigo e a organização de arquivos que conseguia, aos poucos, fazer.
Já nem mesmo a música, minha fiel companheira, consegue fazer-me pensar em condições. E não digo que me encontro em algum estado de confusão ou, em tom abrasileirado, numa 'depré', estou sim a vivenciar fases de mudança que trazem consigo outras mini-fases e mini-mudanças que consequentemente esbarram com a minha zona de conforto, com aquilo que designava por normalidade e que desde sempre conheci. 
Estes últimos meses foram, sem sombra de dúvida, a reviravolta mais revirada que a minha vida sofreu em toda a sua existência, e se em algumas alturas senti-me um pouco solitária nesta nova jornada, dei por mim a relembrar os tempos de infância em que demasiadas vezes brincava sozinha e percorria caminhos desconhecidos de bicicleta sem ninguém ao meu lado e nunca tive receios, seguia sem pensar nas consequências apenas a vivenciar o momento. Achei por bem aceitar que aos 30 anos ter receios de caminhos desconhecidos fosse mais do que infantil e abracei esta nova etapa como algo que eu em criança iria adorar fazer. Não deixa de ser caricato o pensamento mas foi o que realmente ajudou-me a criar uma certa lógica de pensamento e uma força interna capaz de enfrentar o que já aqui está, no presente. E a missão está a ser cumprida sem sobressaltos ou grandes mazelas internas. De quando em vez uma 'pontadita' no peito surge ou uma lagrimita quer dar o seu olá ao mundo mas tudo muito pacífico e sem grandes dramas. Nada que um respirar fundo não acalme e um bom rimel não disfarce e estou pronta para erguer-me de novo.
Tem sido bom, na sua maioria das vezes. Sinto-me a amadurecer e a reencontrar-me depois de anos de ausência e até que me sinto orgulhosa de mim mesma, mesmo que em algumas alturas me entristeça saber que  é uma caminhada solitária por mais esforços que faça para contrariar essa tendência. 
Hoje não sou a mesma que ontem.