De passagem

De volta! Talvez não definitivamente mas por hoje, estou de volta. A saudade bateu sob a forma de 'falta de escrita'. 
Nem sei mesmo há quanto tempo parei de escrever cingindo-me apenas a ver e a reler frases e textos escritos por outras mãos que não as minhas. Parte de mim quis assim ficar por achar ser melhor, por pensar que exposição mental em demasia estava a colocar-me numa posição de fraqueza, de fragilidade perante mim e o mundo, mas à medida que o tempo avança dou por mim a sentir falta do 'esvaziamento' mental que a escrita me provoca, a sensação de alívio que traz consigo e a organização de arquivos que conseguia, aos poucos, fazer.
Já nem mesmo a música, minha fiel companheira, consegue fazer-me pensar em condições. E não digo que me encontro em algum estado de confusão ou, em tom abrasileirado, numa 'depré', estou sim a vivenciar fases de mudança que trazem consigo outras mini-fases e mini-mudanças que consequentemente esbarram com a minha zona de conforto, com aquilo que designava por normalidade e que desde sempre conheci. 
Estes últimos meses foram, sem sombra de dúvida, a reviravolta mais revirada que a minha vida sofreu em toda a sua existência, e se em algumas alturas senti-me um pouco solitária nesta nova jornada, dei por mim a relembrar os tempos de infância em que demasiadas vezes brincava sozinha e percorria caminhos desconhecidos de bicicleta sem ninguém ao meu lado e nunca tive receios, seguia sem pensar nas consequências apenas a vivenciar o momento. Achei por bem aceitar que aos 30 anos ter receios de caminhos desconhecidos fosse mais do que infantil e abracei esta nova etapa como algo que eu em criança iria adorar fazer. Não deixa de ser caricato o pensamento mas foi o que realmente ajudou-me a criar uma certa lógica de pensamento e uma força interna capaz de enfrentar o que já aqui está, no presente. E a missão está a ser cumprida sem sobressaltos ou grandes mazelas internas. De quando em vez uma 'pontadita' no peito surge ou uma lagrimita quer dar o seu olá ao mundo mas tudo muito pacífico e sem grandes dramas. Nada que um respirar fundo não acalme e um bom rimel não disfarce e estou pronta para erguer-me de novo.
Tem sido bom, na sua maioria das vezes. Sinto-me a amadurecer e a reencontrar-me depois de anos de ausência e até que me sinto orgulhosa de mim mesma, mesmo que em algumas alturas me entristeça saber que  é uma caminhada solitária por mais esforços que faça para contrariar essa tendência. 
Hoje não sou a mesma que ontem.

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