Calar para não falar - doí mas não mata

A mente quer escrever mas os dedos não teclam o que preciso exprimir. Há um certo perigo na palavra escrita que faz-nos recolher no nosso pensamento e deixarmos por dizer o que mais queremos falar. Pelo nosso bem-estar deveríamos desabafar mas também pelo nosso bem-estar permanecemos calados.
O nó na garganta aperta...
Mantemos a calma porque não queremos mostrar que enfraquecemos, que estamos vulneráveis, que estamos magoados, que finalmente abriram uma brecha naquele muro que demoramos tanto tempo a construir à nossa volta.
Não quero com isto dizer que voltamos à estaca zero. Nem por sombras. Já não somos os mesmos meninos que éramos, e na construção desse muro, dessa barreira, fomos aprendendo a ser diferentes, mais fortes, mais orgulhosos, mais próximos de nós mesmos. Magoamos-nos mas não com a mesma intensidade. Já não vamos tão ao fundo, já não sentimos tanto no estômago aquele soco que sufoca, que parece que mata. O ego está lá para dar-nos a lapada que necessitamos para despertar e erguermos-nos mal sentimos o perigo a aproximar-se.
Mas o ego tanto é nosso amigo para estender-nos a mão como nosso inimigo para tapar-nos a luz com a qual devemos ver o mundo à nossa volta, a luz que indica-nos o que fazer a seguir para prosseguir caminho de cabeça erguida e olhos postos no que realmente importa.
Hoje tenho a mão do ego a tapar-me o rosto. Só vejo-me a mim e ao meu orgulho, ao que penso de mal e o mal que isso me provoca. Talvez amanhã, com o raiar de um novo sol, a luz se esquive às mãos do ego e acorde-me primeiro. Talvez...

2 comentários:

  1. Há sempre um amanhã... E, por muito mal que estejamos (porque já passei por isso!!!) o sol vai sempre nascer.
    É normal que nos sintamos em baixo. É isso que nos torna humanos.: a capacidade de racionalizar e por vezes demais.
    Tenta não pensar tanto e viver mais o presente. É difícil mas possível.

    Lux

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    1. O presente é o que assusta mais, muito mais do que o passado que conheço ou o futuro que é incerto. Mas dias cinzentos vão haver sempre e como dizes, há o amanha e a esperança de ser melhor.
      Obrigada

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