Saudades de mim

Eu sei que quem gosta de mim não entende. Eu sei que quem tenta estender a mão não sabe o sentimento de impotência que é não conseguirmos alcança-la.
Quando o que sentimos nos corroí por dentro, quando tira-nos a força e deixa-nos cansados, frustrados, apáticos, anti-sociais...é desgastante.
Muitos afirmam ser uma questão de vontade. Até pode ser que seja, mas não o vejo assim agora. O peso que carrego e não consigo libertá-lo tira-me as forças, a vontade de agir, de ser pró-activa e vivo o dia-a-dia numa sobrevivência. Desejo que seja diferente, faço planos diários para que o seja e tem momentos que sinto a injecção de adrenalina mas infelizmente chega sempre na hora errada, quando não posso agir, quando não há onde ir, quando a hora tardia não o permite. Às vezes acho que é uma desculpa do meu cérebro para não agir. Assim já é perdoado por nada fazer, não há como, a hora é imprópria ou o trabalho não deixa.
Sinto falta de mim mesma, da minha alegria, do meu sorriso, da minha gargalhada. Já não sei o que é doer a barriga de rir, sorrir por um sonho acordado, ansiar por algo. A culpa é apenas minha por ter tido a percepção do que estava a acontecer e não ter travado. Pensei que fosse uma fase, resíduos de algo que correu mal e cedo tudo passaria. Mas não aconteceu, não desapareceu e ganhou tentáculos que se colam à minha volta e prendem-me como amarras.
O que posso fazer para libertar-me desta sensação? O que posso fazer para resgatar-me, nem que seja de rastos e sair deste buraco que me enfiei de livre e espontânea vontade?
Ninguém entende o que é ter saudades de nós mesmos...
Cansada...

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