Bom dia cão!!

No outro dia dei por mim a pensar na facilidade que temos em cumprimentar e falar com um animal mas somos, contudo, demasiado fechados e até sisudos para com outros seres humanos (exceptuando as crianças, é claro). Ainda ontem tive acesso a um cartoon bastante engraçado que ilustrava uma mulher a chegar a casa, e de forma entusiasta, cumprimentava o cão, perguntava-lhe como ele estava, como lhe tinha corrido o dia e enchia-o de beijos e carinhos. Assim que cruza com o marido trocam um singelo 'olá'. Em alguns casos até pode parecer extremo mas acontece com mais frequência do que se pensa. O cartoon tinha tanto de piada como de ironia. 
Mas, nem de propósito, hoje tive um episódio caricato que, apesar do miolo da história ter decorrido na minha imaginação, não deixou de ter piada. Ao chegar a casa dos meus pais encontro, com regularidade, um cão rafeiro, muito fofo, antes abandonado mas há bem pouco tempo acolhido por uma vizinha e baptizado de Pantufa. O Pantufa tem aquele 'belo' habito dos cães de correr atrás dos carros, ou dos pneus dos carros, desconheço o que os motiva. E lá estava ele a ladrar ao meu carro enquanto o estacionava. Acalmou assim que saí e o cumprimentei. Dou-lhe sempre uns cafonés na cabeça e 'falo' com ele. Uma senhora acabou por passar por nós, eu estava debruçada, quase ao nível do Pantufa e até desviei-me para ela passar melhor, olhou na nossa direcção e mandou três beijocas para o ar. Bem, eu bem sei que as beijocas eram para o cão, mas não deixei de pensar como seria engraçado se eu, num impulso, retribuisse o gesto e mandasse três beijocas para ela. Seria, no mínimo, embaraçoso para ambas. Ri-me, sozinha, do cenário que tinha acabado de criar na minha mente.
Mas, na verdade, as pessoas estão tão habituadas a este tipo de comportamento, a tornar outro ser humano invisível, que nem se quer lhes passa pela cabeça que têm um gesto de boa educação e mimo para com um animal mas de completa ignorância com um semelhante.
Chegando a casa contei este episódio à minha mãe que acabou por partilhar outra situaçao do género. Minha sobrinha, uma bomboca de 6 anos, num passeio a pé com a avó, passa por um senhor que passeava o cão. Nada mais natural para a miúda do que dizer ' bom dia, cão'. Claro que a minha mãe apelou ao coração dela e lhe disse que o senhor tinha ficado triste por não ter recebido a mesma atenção. E este tipo de situação não lhe foi ensinada, pelo contrário. Acho mesmo que a reprogramaçao do nosso adn chegou a este ponto e vai passando de geração em geraçao com tendência a piorar. 
Claro que a minha sobrinha não recebeu um bom dia de volta, mais depressa lhe terá respondido o senhor, educadamente e em nome do cão que, coitado, não fala a nossa língua. E na minha historia a senhora lá foi à vida dela, de sorriso no rosto porque havia uma atmosfera de carinho no ar mas sem beijos. O Pantufa não retribuiu.

5 comentários:

  1. E se dizes bom dia a todos dizem que és maluca. A mim já me perguntaram porque dizia sempre boa tarde aos seguranças das lojas e recpcionistas dos sítios onde vou. E nem te atrevas a olhar para a cara de uma pessoa durante mais de segundo e meio, perguntam-te logo "O que foi?"... Enfim qualquer dia estamos como os gorilas.

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    1. E continuas a cumprimentar tudo e todos? Isso é raro.
      Segundo e meio não sei mas dizem os especialistas que olhar mais de 3 segundos para uma pessoa pode ser tanto sinal de desejo por ela ou vontade de matar... Se olhares segundo e meio para mim não vou dizer nada, mais do que isso, fujo!

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    2. Sim, cumprimento todos.
      Bem... eu às vezes fico perdida a olhar e quando dou conta estou a olhar fixamente para alguém. Deve haver muita gente a achar que sou uma psicópata!

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    3. Hmm, se até agora ninguém fugiu ou te abordou por se sentir demasiado observado, estás bem. Mas, se calhar és mesmo psicopata!! Ups...

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    4. Bem já me chamaram a atenção duas ou três vezes, algumas de forma um pouco agressiva. Se calhar até sou... LOL

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