Ser alguém para ter alguém

Muitas vezes sentimos uma solidão imensa, uma enorme vontade de ter alguém ao nosso lado, alguém que compartilhe cada momento do nosso dia, alguém para dividir as alegrias, as conquistas, os sucessos, os desalentos e fracassos. Colocamos nesse alguém toda a nossa expectativa: "quando realmente eu encontrar essa pessoa tudo será diferente!"

O que esquecemos ao longo desta busca é que temos que ser alguém por completo, alguém curado, que aprendeu com a vida, que aja de forma madura para então ter alguém de facto e nunca transferir para o outro os nossos problemas internos.

O amor exige um imenso trabalho connosco e, por incrível que pareça, também uma luta contra o nosso eu pessoal. A plenitude de um amor saudável é a fusão de duas vidas numa única direcção, numa coligação de desejos, sentimentos e de destino.

Uma das coisas mais importantes quando amamos alguém é desenvolver a compreensão. Esta compreensão é adquirida pela observação constante com o coração aberto; nesse momento não há espaço para críticas.

Os relacionamentos começam dentro de nossa mente, então, o que dizer de alguém que possui crenças erróneas arraigadas do tipo: "todo homem não presta"? Por sintonia energética, ela encontrará homens que condizem com o que foi projectado. Se a pessoa que está predisposta a amar novamente não se curar de algo muito dolorosa vivido, ela viverá novamente uma energia semelhante, por isso que o amor começa dentro da pessoa! A expressão da sua totalidade é um dos fundamentos do amor. Amar não é anular-se para fazer o outro feliz.

Algumas pessoas vivem o amor do tipo: será que estou a agradar? Devo falar isso agora? Será que o outro está de bem com a vida hoje? Amar é sentir-se pleno e autêntico; e pleno a cada momento é poder expressar-se sempre na nossa totalidade, sem receios. O espaço de convivência entre duas pessoas deve ser tal que os dois possam buscar alternativas juntos, à medida que dificuldades surgirem e aprenderem a viver tudo com muito amor.

Em virtude de experiências vividas ao longo de nossas vidas, que nos trouxeram experiências de rejeição, adquirimos uma forma de pensar que sempre faz com que o outro seja o senhor da situação, ou seja, o outro pode fazer-nos felizes ou fazer-nos sofrer. Um destaque importante a ser colocado, é o seguinte: o outro é o que é, pela sua história de vida e não porque está consigo. Uma crença errónea é que o outro será nosso apoio sempre, nos fará felizes em cada momento e resolverá os nossos problemas, sejam eles espirituais, financeiros, emocionais ou de saúde.

Amar dá certo para quem não depende do amor do outro. Se os dois passam por um momento de dificuldade, que tal contar com outra pessoa nesse momento? Como uma amiga por exemplo! Quando somos ouvidos, sentimo-nos importantes e nossa auto-estima e poder pessoal reestruturam-se e as soluções aparecem. Então, este outro pode ser alguém que escolhemos naquele momento, e não alguém que se encontre numa situação similar. Somente pessoas inteiras e conscientes podem criar um relacionamento inteiro.

O ciúme é um sentimento que demonstra inferioridade, sentimos-nos menos que o outro portanto, queremos diminuí-lo e manipulá-lo a fim de tornar o outro igual a nós mas, porque nesse momento não aproveitar a oportunidade para crescer e tornar-se igual ao outro? A confiança é a sustentação de qualquer relação de amor e precisa ser recíproca. Os nossos segredos mais íntimos, os nossos medos, as nossas dúvidas, as nossas inseguranças e fraquezas, os nossos desejos e fantasias, estão sempre guardados no mais íntimo do nosso ser e confiar em alguém significa permitir que este alguém descubra-nos por inteiro.

Será que você está preparado e curado, pronto para viver uma grande amor?

Maria Isabel Carapinha

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