As eternas despedidas

Há datas que são memoráveis mas nem todas por bons motivos. Hoje é um dia desses, ontem também já o foi mas hoje houve uma certa confirmação de um futuro diferente.
À primeira vista até soa a interessante e até o é, não posso pensar sequer o contrário. Tudo está ir de encontro ao que intuitivamente sabia que ia ser, quase desde início, mas o sentimento que vivo não deixa de ser agridoce. Por um lado, o peso que sai-me do corpo, a leveza por já não ter de ser mais responsável por um presente desagradável, pelo alimentar de uma situação que era doentia (mas que sentia necessária) mas por outro...a tristeza de não o ser mais, de não mais viver aquilo, ver aquilo, sentir aquilo. Mesmo repetindo para mim mesma que estou a construir o que é certo para mim e que o que deixo para trás são amarras, garras, problemas, dores de cabeça (e muitas de estômago), é triste pensar que, uma vez mais, tudo foi construído numa base tão frágil de ilusões e que deixei o melhor de mim em algo que não merecia sequer um fragmento de um pensamento. Mas o que acontece tem de acontecer, o que surge no nosso quotidiano é para ser vivido e quando temos o nosso alvo apontado para determinado objectivo muitas vezes deixamos de tomar sentido se esse objectivo é, de certo, o melhor para nós. Apenas queremos aquilo e nada mais e fazemos tudo o que estiver ao nosso alcance para o conseguir, mesmo que isso não seja, de todo, o que merecemos.
E não o era, nunca o foi nem o seria algum dia. Apenas na minha mente sonhadora, no meu orgulho, no meu super-ego tinha de ser porque não era possível ter-me enganado uma vez mais e, de novo, sentir as dores de um sonho destruído.
Que fazer, há coisas que não são possíveis de mudar em nós, mesmo que achemos que, desta vez, estamos a fazer a coisa de forma diferente, Quando nos esta no sangue ser assim, somos assim. E damos o litro por quem não merece, esfolamos-nos até ao osso por quem nem sequer nos vê.
Custa imenso, hoje, virar a cabeça por cima do ombro, olhar para trás e verificar que tudo não passou de um desperdício total de tempo, de paciência, de amor, de carinho, de tudo o que era meu e que podia ter sido canalizado para outros objectivos. Ainda estou na fase menos simpática em que culpabilizo-me pelas más escolhas, por não ter escutado meu instinto, por ter-me achado capaz de agir como a super-mulher e salvar tudo e todos. Ai se eu soubesse o que sei hoje, mas hoje sei um pouco mais do que sabia naquela altura e mesmo não podendo prometer não voltar a cair em pecado, apenas posso reconfortar-me com pensamentos de que cuidarei melhor de mim agora, com mais carinho, com mais paixão. E um dia sossegar o meu ego que insiste em pensar 'um dia vais despertar e ver que nunca mais terás a sorte de encontrar alguém como eu'. 
Mas sabes que mais? Que encontres a felicidade e o teu caminho e que esse caminho nunca mais te traga ao encontro do meu.

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