O progresso chegou à aldeia!

Uma das coisas que sempre me deu mais orgulho foi a paisagem campestre que tenho nas traseiras de minha casa. Campos e mais campos, mistura de flores e verduras, alternância de cores, verdes, amarelos, rosa, com carneiros, cavalos e uma imensa calma irrompida apenas pelo chilrear dos pássaros. Se de dia é calmo, à noite, o espectáculo é fenomenal apenas com as luzes da cidade do Porto ao longe.
Há uns anos atrás tivemos o desprazer de ver uma das partes ser destruída para a construção de um campo de futebol, que alguns gostam de apelidar de estádio mas que não é mais do que um campo em terra com uma bancada e cercado por betão. Deixei de ver os cavalos ao longe a pastar, passei a ver outros a jogar à bola.
Neste momento encontram-se a construir a linha do metro mesmo nessa zona tão sossegada…Pequenas casas já foram deitadas abaixo, árvores derrubadas e a terra rasgada para a passagem da “estrada de ferro” moderna! Minha tristeza foi sentida ao ver de longe a árvore que mais significado teve na minha infância, que trepamos tantas vezes, eu e meus amigos, e que até chamávamos casa da árvore porque dava para ficar sentado nos seus ramos, ser cortada e cair, sem dó nem piedade como se nada significasse! De certo quase 200 anos de vida ali caídos no chão…. As vezes que andei de bicicleta por aqueles campos, que nos juntávamos todos e ficávamos sentados no meio do nada, a ver nossas casas ao longe, sem ninguém nos aborrecer nas nossas conversas. Não faz muito tempo andavam uns miúdos a largar papagaios de papel lá pelo meio dos campos.
“O progresso chegou à aldeia” disse eu em tom irónico para a minha mãe. É necessário, eu sei, mas custa ver a natureza sofrer alterações definitivas por isso.
Deposito minha fé que no final de toda a tempestade fique uma obra bonita, disfarçada no restante verde e que apenas dê por ela cada vez que o metro passar lá ao fundo.

2 comentários:

  1. Você está sendo romântica ao imaginar a construção do Metro pronta. Imagine que deve passar um vagão por minuto e adeus paisagem. Você não imagine o que derrubam aquí no Brasil, em nome do progresso. Depois vivem a reclamar das grandes e perigosas tempestades que tem acontecido por aquí. Agora não adianta ter medo. Tem-se que raciocinar melhor e não fazer grandes obras políticas. Adoro seu modo de escrever. Abraços. Manoel Eduardo - Brasil.

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  2. Manoel: Nããããoooooo!!! Nem me diga isso!! Um vagão por minuto?? Lá se vai meu silêncio!
    Aí no Brasil vou sabendo de algumas coisas pelo que leio mas claro que não temos nem uma mínima noção do verdadeiro flagelo! Pode ser que numa dessas tempestades, quem toma as más decisões vá levado o vento ;)!

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