Bens e dinheiro

Ontem, a propósito de uma conversa sobre dinheiro e poupanças, questionaram-me o que estou a precisar. 'Em que sector?' - retorqui, em tom de brincadeira. Apesar de considerar-me uma pessoa sortuda e saber que estou à vontade na minha simples vida, falta-me imensos itens que vão desde essenciais a supérfluos.
Não posso queixar-me. Apesar das minhas obrigações nunca deixei de fazer seja o que for. Sair, conviver, andar de carro, comprar roupa... Mas todo este à vontade vem do facto de ser poupada por natureza. Não sou de esbanjar o que ganho, muito pelo contrário. E, à minha forma, vou conseguido gerir da melhor forma uma vida boa para quem tem um rendimento que nem ao menino Jesus lembra. 
A minha casa ainda está demasiado desprovida de mobiliário e têxteis, coisas que fazem toda a diferença no bem-estar e conforto. Adorava trocar de carro, não só por uma questão de vaidade mas porque percebo que os anos passam e, mais tarde ou mais cedo, terei de começar a despender dinheiro nele. Preciso de fazer uma inspecção ao meu guarda-roupa e seleccionar o que já não serve para proceder à substituição. Mas todas essas coisas, no seu todo, implicam, em primeiro lugar e principalmente para a questão do carro, ter dinheiro, e em segundo ter disponibilidade mental para consciencializar-me que é necessário gastar.
Muitas vezes deixo de comprar por ter uma voz de consciência que, chata como tudo, pára o impulso de adquirir algum bem. Meu relacionamento com o dinheiro é, por isso, um bocado complicado. Já foi mais, confesso. De alguns anos para cá consegui baixar a importância do dinheiro na minha vida e felicidade, mas, na mesma assim, continua a ter o seu peso na minha paz de espírito.
Tempos de mudança aproximam-se. Tudo indica que irei fazer parte das estatísticas do desemprego em Portugal. Não que esteja muito incomodada com isso pois é o fim de uma situação insuportável. Tudo o que peço é que haja dinheiro para que a empresa consiga cumprir com as suas obrigações e pagar-me a indemnização sem problema de maior. Preocupa-me saber que, o que se segue. Estou completamente às escuras nesta questão sem fazer a mais pálida ideia que rumo seguir. Sei que é fundamental arranjar algo rapidamente mas sinto em todo o meu ser que preciso de investir em qualquer coisa estimulante, motivador. Na verdade o que realmente gostava era de trabalhar por conta própria mas aquela voz de consciência que referi anteriormente insiste em repetir as dificuldades que passamos e os riscos que corro. É neste momento que preciso mesmo libertar-me do dinheiro e deixar que meu instinto fale mais alto para entender o próximo passo a dar.
Vai continuar a faltar-me imensa coisa mas estou confiante que a vida tem reservado para mim algo bem melhor.

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