Deixem Deus em paz!

Com ou sem intenções propagandísticas, o que é certo é que o novo livro de José Saramago está a vender que nem paezinhos quentes! E traz, de novo entre nós, debates de crenças e valores. Não que seja mau, desde que feito com respeito.
Estes temas religiosos continuam a mexer com a nossa sociedade.
Não existe quase nenhum livro desta temática que não gere controvérsia e agite a Igreja e os seus "valores".
Verdade que já tentei ler a Bíblia mais do que uma vez e de todas as vezes que tentei desisti logo nas primeiras páginas. Fui mesmo abrindo ao calha e lendo umas passagens, mas não dá, não consigo. Um livro macábro, pessimista, que inferioriza a mulher e mostra-nos um Deus revoltado e vingativo (como inclusivé o disse Saramago). Ler o chamado livro sagrado seria abalar com todas as minhas crenças e gerar em mim incertezas. Não consegui e desisti. Preferi conhecer o meu Deus de outra forma e ve-lo em todo o lado menos naquele livro. O meu Deus não é assim.
Em muitas situações debati estes temas religiosos com amigos, um deles catequista e percebi que realmente a Igreja ainda tem muita força, ainda move muita gente com falsidades e hipocrisias aproveitando-se da ignorância. Sim, para mim, aceitar os valores da Igreja, segui-los e defende-los quando tudo neles se contradiz, é ser ignorante.
Cheguei à conclusão que falar sobre a Igreja é uma perda de tempo e dou graças por estarmos no século XXI, com plena liberdade de pensamento, expressão e escolha para podermos decidir no que querermos crer, como o queremos fazer. Condeno os fanatismos religiosos, os massacres, a violencia sob todas as formas que seja gerada pela religião.
Quem acredita que Deus aceita e quer atitudes destrutivas, tristezas, guerrilhas e mortes em sua defesa é porque ainda não conheceu Deus, não teve oportunidade de conversar com ele, senti-lo e vive-lo.
Deus é sinónimo de paz, amor, alegria, de comunhão entre os seres, de uma vivência feita em harmonia neste mundo criado por ele de forma tão minuciosa. Deus é cada um de nós, todos os dias, em todos os actos de entre-ajuda, num sorriso, num abraço. Quem continua a acreditar que Deus quer sacrifícios em seu nome ou instituições repletas de ouro que o defendam é porque ainda não o viu. E acreditem, ele está mesmo à nossa frente...

23 comentários:

  1. Podia dizer alguma coisa... mas acho que... disseste tudo! Concordo totalmente.

    Deus jamais inferiorizaria a Mulher ou defenderia atitudes cinzentas e fechadas, próprias da Idade Média.

    Deus é Luz, jamais trevas.

    Jesus disse-o: "Deus não está entre quatro paredes de tijolo e argamassa (numa igreja) e sim... por todo o lado". :) Misteriosamente... os manuscritos onde Ele escreveu isto... desapareceram.

    ResponderEliminar
  2. Ainda gostava de ler o que verdadeiramente foi escrito, acredito que devem ser textos lindíssimos.

    ResponderEliminar
  3. bonito texto! cada vez mais acho que o importante é individualmente encontrarmos aquilo que nos preenche espiritualmente, e que nos dá conforto nas horas de maior aperto.

    ResponderEliminar
  4. Exacto, e será aí que nos encontraremos com Deus, no nosso conforto, na nossa paz. Cada um de nós é um pouco Dele.

    ResponderEliminar
  5. Sabes, também já me questionei muitas vezes sobre esse deus vingativo que aparece no antigo testamento, mas tal como um amigo meu que é padre sempre me disse, são coisas que não devem ser seguidas à letra, são histórias para nos tentar mostrar algumas coisas.
    E eu acredito nesse mesmo Deus que tu.

    ResponderEliminar
  6. Lindas palavras, Sílvia. Gostei da tua resposta à(ao) art.soul. :)

    ResponderEliminar
  7. Olhos Dourados: são histórias que apenas nos demonstram o que não devemos fazer para não sermos castigados. Qualquer exemplo é motivo de punição o que leva os crentes a assustarem-se, a recear um Deus malvado e rigoroso.
    Perdoa-me mas Padres são a Igreja e por isso não consigo aceitar as suas "verdades".

    Gimbras: obrigada :)
    (art.soul é uma lady)

    ResponderEliminar
  8. art.soul: Mil perdões. Vénia. Às duas meninas.

    ResponderEliminar
  9. Que mais dizer quando se lê um texto destes... :)
    **

    ResponderEliminar
  10. Gimbras: vénia!

    Saga: sou muito espiritual :)

    ResponderEliminar
  11. Discussão dificil esta... todos nos devemos questionar tudo (ou quase), mas as vezes há questões que só se podem colocar a "nós mesmos".
    Ainda é "pecado" para muita gente colocar os "pontos nos i´s" relativamente à igreja católica. Repara que ninguém questiona a crença, aliás, ninguém tem legitimidade para isso. Do que se duvida é da "estrutura" da igreja... desde a riqueza do Vaticano, passando pela Opus Dei, a falta de apoio aos pobres, as intromissões políticas, etc...
    A parte da Bíblia ainda é mais dificil de gerir... a verdadeira, ao que dizem, estava escrita em aramaico e a igreja negou-a e escondeu-a, resta saber "porquê?".

    Bjs com um abraço ;)
    P

    ResponderEliminar
  12. Gimbras: sempre :)

    P: sempre agradável a sua participação neste humilde blog Sr. P. :)
    Difícil e por vezes melhor manter como está! Como gostava de ler a Bíblia original...com certeza não agradava à Igreja então fizeram-na desaparecer convenientemente...hipocritas! Não gosto nada do que a Igreja representa, é tudo menos Deus!

    ResponderEliminar
  13. Sempre te conheci assim... sinceridade dura :) Acabaste de dizer o que a maior parte de nós pensa mas alguns sem coragem para admitir.

    essa do Sr. P?!!! ...dasse!!! "ups... nao se diz q é pecado" :)

    Bjs

    ResponderEliminar
  14. A Igreja é assim:
    "Se te baterem dá a outra face"
    Depois o Saramago critica a igreja (bate) e o que fazem eles? Batem também! Ahahah
    Bem... mas como Deus é omnipresente, omnisciente e omnipotente e até criou o Universo e o Benfica, acredito que isto é tudo um plano dele para se entreter =)

    *

    ResponderEliminar
  15. Se nunca leste a Bíblia... estás a opinar no vazio. É como não ser mecânico e querer arranjar um motor. O Saramago leu, mas só lá viu uma foice e um martelo, é um analfabeto teológico.

    ResponderEliminar
  16. P: não é uma questão de coragem, é uma questão de certeza em relação ao que digo.
    a do "senhor" era para dar um certo respeito. Sabes que será smpre um menino! :p

    Swadharma: a Igreja é um assunto que já desisti de debater...
    Benfica e o resto do futebol... ;)

    Lord of Erewhon: não preciso de ler a Bíblia para ter uma opinião, até porque minhas convicções nunca dependeram de nenhuma literatura. Eu conheço Deus, eu falo com Ele, eu sinto-O. Nunca precisei de Escrituras algumas para me dizerem o que Ele fez ou ensinou. O que realmente interessa é quem somos perante nós mesmos e viver em consciência tranquila com isso, quando isso acontecer, estarás na presença Dele.
    Busca Deus em outros sítios que não a Bíblia e talvez aí não tenhas necessidade de chamar analfabeto seja a quem fôr, pois teu conhecimento sobre Ele será muito mais vasto.

    ResponderEliminar
  17. Não, de facto. Mas uma opinião não tem (quase, mesmo acertada) nenhum valor científico. Esse é o erro do Saramago: opina. E opina sobre uma matéria acerca da qual há ciência: chama-se ela Teologia. Hoje não a consideramos como tal, mas já foi considerada (por exemplo, por Aristóteles) como a mais elevada das ciências, porque versa acerca do mais elevado dos seres: Deus.

    Quanto a «falares» com Ele... não me pronuncio; não discuto a Fé. Quanto a conheceres Deus... é um absurdo (da Fé), que posso tanto entender quanto garantir-te que não O conheces: Deus transcende as possibilidades de entendimento humano. Por isso, também, nos resta a Teologia: o entendimento dos textos sagrados de todas as religiões a partir de princípios e categorias de racionalidade.
    É com base nessas categorias que Cristo soube, contra o prescrito na Lei (Torah) ir contra o costume de assassinar adúlteras à pedrada... Chama-se a isso hermenêutica teológica, ou seja, ir interpretando o sagrado de modo a estabelecer uma adequação à evolução natural da civilização humana.
    Para além disto o que resta são ateus cretinos (como o Saramago) e fanáticos religiosos sempre dispostos à barbárie, porque eles é que «conhecem» Deus, e como tal a sua religião é que é a «verdadeira»...

    ResponderEliminar
  18. P. S. O meu conhecimento de textos sagrados cobre todos (repito, todos) os textos sagrados de todas as religiões que existem.

    ResponderEliminar
  19. Lord of Erewhon: valor científico, então é isso que falamos...ciência. És um homem de ciências, assim o entendo. Precisas de textos, fundamentos, elementos palpáveis que sustentem a tua fé. Mas porque necessitas tanto de escritos humanos para alimentares a tua crença? Isso é o que está em causa quando me pronuncio acerca da Bíblia e quem fala da Bíblia fala de todos os Evangelhos e escritos de todas as religiões possíveis. Por onde a mão humana passa eu não deposito minha fé, eu não creio. Ir interpretando o Sagrado como o dizes para mim é unicamente ir adequando-o ao que é conveniente em cada época e ao que o homem quer e assim tem vindo a ser feito desde o início ao ponto que hoje questionamos os textos sagrados.

    Minha Fé é exactamente assim, eu creio Nele, eu falo com Ele, eu conheco-O e quando digo que O conheço não digo que o Entendo pois isso sim me transcende, mas conheço-O, sei quem Ele é, e posso afirmar-te em paz que sei o que Ele pretende com a humanidade e não é esta luta eterna de crenças, religiões e opiniões. Deus quer de nós entendimento, comunhão. Mesmo que na tua opinião tão cheia de certezas que conhece-Lo é impossível, eu afirmo o contrário. Que Ele nos transcende? Sim. Conhece-Lo transcende-nos? Podemos ter uma inteligência muito tacanha para o conseguir fazer mas estar com Deus não depende de inteligência ou compreensão pois qualquer criatura está em presença de Deus. Acredito mais depressa que por acharmos que Ele é um ser que nos transcende que O passamos ao lado, não O vemos tão perto de nós achando que Ele é inatingível. E Ele encontra-se em coisas tão simples...
    Na minha crença, Deus é como eu e tu, alguém que precisa de ser amado, acarinhado, ouvido. Por isso afirmo que Deus somos todos nós, em qualquer momento.

    Contudo, tua sabedoria é sempre válida para o entendimento que necessitas Dele e se é em textos que O encontras deves continuar a faze-lo.

    ResponderEliminar
  20. Não falei de nenhuma Fé minha; nem sequer sou cristão.
    Nada é impenetrável à razão natural, e só esta pode produzir uma sociedade laica, em que todas (repito, todas) as formas de religiosidade se possam expressar, em igualdade, mas cumprindo a civilidade, ou seja: leis civis racionais.

    ResponderEliminar
  21. P. S. Todos os textos sagrados (ainda que «inspirados» por Deus) são obra humana. A razão não se pronuncia sobre a Fé, sobre o inefável e o indizível. Mas obriga todos os homens ao cumprimento de normas lígicas do mundo natural; são estas que fundamentam a civilização humana. O que resta é do âmbito íntimo. O mistérico está para além do mundo dos homens.

    ResponderEliminar
  22. Entendi que não falaste da tua Fé, entendi que Fé para ti não se discute e concordo plenamente. Por andarmos a discutir a Fé é que não chegamos a um concenso, a paz.
    Impossível pensarmos numa civilização que, em igualdade, pudesse expressar todas as formas de religiosidade, o homem não é humilde o suficiente para respeitar o próximo e as suas crenças.
    Por todos os textos sagrados serem obra humana é que nem sequer os leio.
    De resto, concordo plenamente contigo. Regemo-nos por normas próprias da civilização humana e o resto diz respeito a cada um. Mas lá está, minha Fé já me diz que que Deus quer é respeito entre essas convicções.
    ;)

    ResponderEliminar