Porque esforçamo-nos tanto?

Acho que esforço-me demais para agradar e sou demasiadas vezes ignorada.
Não creio que o dar e o receber estejam em equilíbrio na minha vida, pelo menos não como eu gostaria que estivesse. Vejo que há quase sempre uma desproporção entre o que faço para gostarem de mim e o que fazem para fazerem-me perceber que consegui esse objectivo e ser reconhecida, e retribuirem se possível.
Será que vale a pena demostrar aos outros que gostamos, que preocupamo-nos, que temos estima, carinho e mesmo desejo pelo seu bem-estar, pela sua alegria e no final sentirmo-nos colocados de parte? Vermos que todo o resto parece importar mais do que as nossas palavras, os nossos gestos, os nossos esforços sejam eles de que modo forem?
Grande parte das vezes falo de coração, porque é o que sinto no momento, porque é o que desejo transmitir, porque é o que quero que saibam que sinto, que penso, que quero! Não faço esforço algum para dizer que gosto quando gosto, apenas flui de dentro de mim da forma que parece ser a mais adequada ao momento e à pessoa em causa. Triste para mim é não ter o feedback, não ter nada que pelo menos indique que fui ouvida, ou lida, ou sentida, ou seja lá o que for. As palavras caiem no vazio, os sentimentos desaparecem no ar ou ficam ali a pairar por tempo indeterminado, em stand-by, até serem avistados. Enquanto isso fico eu também a pairar, em stand-by, na dúvida de que fiz o mais acertado ou se o melhor mesmo é reprimir o que sinto, guardar para mim e deixar os outros viverem na sua ignorância sobre o que penso deles.
Na verdade, é essa a mensagem que o silêncio transmite-me, que não querem saber, que não estão interessados em saber, que não faz diferença terem-no sabido, que as suas vidas não muda um milímetro que seja porque eu (e só de mim posso falar) disse que gostava.
Hoje em dia é assim que as pessoas relacionam-se. São coisas de momento, o momento é o que interessa e não se esse momento constroí algo ou significa algo, ou faz-nos caminhar na direcção de algo. Poucos são os que pensam para além desse momento, que questionam sobre o significado desse momento, que querem que esse momento se transforme em mais e mais momentos por tempo indeterminado.
São essas situações que fazem-me questionar se os meus valores adequam-se aos tempos modernos, se consegui crescer a par das mudanças ou se, feliz ou infelizmente, valorizo outros aspectos caidos em desuso nos dias que correm. Questiono-me se isso será benéfico ou prejudicial para mim mais tarde ou mais cedo, se não estarei a iludir-me por dentro quando a realidade no exterior é outra.

3 comentários:

  1. Vale sempre a pena dizer o que se sente mesmo que do outro lado nada venha, que nunca te fique nada por dizer! Pois é nestas alturas que realizamos com quem realmente podemos contar!
    É depois...guarda só quem conta mesmo, o resto deixa...são felizes assim! :)

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  2. Coitados dos que deixam que o medo lhes os vença e nunca consigam dizer o que sentem. Nada nesta vida é em vão. Continua genuina. :)

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  3. Blocodenotas: sim, grande parte das vezes tenho isso em mente e digo o que sinto mas com o passar do tempo as palavras vão começando a ficar mais presas em mim.

    Mundoacores: nem sempre poderá ser o medo. A dúvida também faz-nos recuar. Mas concordo contigo, nada é em vão. Obrigada.

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