Cartas de Amor, quem as não lê?

Aqui há uns dias escrevi uma carta de amor, das modernas, foi via e-mail. 
Escrevi depois de uma noite conturbada, pautada por discussões tardias, palavras menos meigas trocadas que resultaram numa necessidade de exteriorizar sentimentos mais profundos numa tentativa de aliviar a mágoa que daí resultou.
Foi escrito com carinho, emoção, deixando de lado os contras e exaltando os prós. Escrita com as mãos foi ditada pelo coração.
Senti-me aliviada depois de te-lo escrito. Tinha expulsado de mim o que realmente sentia de bom e que estava a ser sufocado pelos problemas. Com alguma relutância premi o 'enviar'. Não sabia se seria boa opção abrir-me tanto assim e mostrar-me depois de ter estado a construir em torno de mim uma barreira de palavras duras e alguns 'bluffs'.
Os dias foram passando e nenhuma reacção, nem ao vivo, nem pela mesma via ou vias alternativas. Pensei que não tivesse visto e não quis ser impaciente. Eu própria coloquei no título 'para leres quando quiseres'. Falhei na técnica de marketing, redondamente.
O '...quando quiseres´tornou-se eterno, não tive resposta. Nem resposta, nem um mísero 'obrigada' pelas palavras, esse então impossível de acontecer pois sei bem que o mail não foi sequer lido.
Já não é a primeira vez que algo meu é ignorado. Não consigo entender porquê. Já tive o desprazer de estar lado a lado e ver mensagens a seguir às minhas terem sido lidas e a minha continuar ali, à espera de um pouco de atenção. Já questionei porque acontece e nunca obtenho uma resposta concreta.
Mas este mail era algo diferente, era especial, era de amor, era uma trégua, era um pedido de companheirismo na resolução dos problemas. Nunca irei receber resposta nem ele nunca será lido pois eu própria o apaguei da caixa do destinatário. Verdade, eu apaguei-o. Cansei de vê-lo a ser ignorado. 
E o assunto morrerá, assim como aquelas palavras, todos aqueles sentimentos. Foram vividos apenas por mim e acredito que se não foram bem recebidos é porque bateram à porta errada.

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