Equilíbrio emocional

Manter o equilíbrio emocional é, sem sombra de dúvida, um dos maiores mas também melhores desafios que a vida nos impõe. Imensas questões nos assombram, preenchem a nossa mente, e para quem é mulher, ainda há a interferência do imaginário que prega imensas partidas, algumas vezes levando-nos a criar cenários hipotéticos que em nada ajudam.
Sempre fui uma dessas pessoas que, como já li em muitos lados em tom cómico, faz a pergunta, responde à pergunta e ainda fica put* com a resposta. E nem conto as vezes que ficava fula, dentro da minha cabeça, por uma situação que não tinha acontecido e nem iria acontecer. Soa a familiar?

Verdade é que para manter este equilíbrio emocional é necessário, antes de tudo, uma enorme força de vontade de encarar o 'monstro' de frente e quando falo em 'monstro' falo na situação que nos incomoda, ou o problema, ou a pessoa. Só assim somos capazes não só de ganhar forças, ficarmos mais fortes e capazes como também ultrapassar e seguir em frente.

Sim, bem sei como soa fácil, na prática é terrível. E é mesmo. Chegar até aqui tem sido uma batalha desesperante entre o 'quero estar sozinha' e 'venham a mim que não fui feita para solidão'. E em cada uma dessas opções criar também o equilíbrio que permita gozar cada uma delas de forma plena e sem stress.
Muitos defendem que tudo é uma questão de gostarmos de nós mesmos, de sabermos estar de bem connosco para partir para uma relação equilibrada com as outras pessoas mas nos dias que correm, e porque nós corremos com os dias também, fica complicado gerir o tempo, gerir as emoções e conseguir sentir alguma empatia connosco, com a pessoa que reflecte no espelho e entender as suas necessidades, as suas frustrações, os seus medos. 

Tenho tido a oportunidade de criar melhores condições para a construção de um Eu melhor através da empatia com amigas e do apoio que consigo lhes dar na sua luta com os seus 'monstros'. Tudo passa por conseguirmos ver o cenário de forma externa e cada vez que sentimos determinada opção, resposta e caminho a seguir, conselho a dar, ouvirmos-nos a falar e assimilar o que achamos ser correcto para a outra pessoa pois é uma crença nossa, que verbalizamos, que sentimos ser certa, uma intuição. É uma parte de nós que damos ao outro e como tal é verdadeiro. A partir daí tenho conseguido compreender-me melhor, parar para pensar no que vivo, no que vivi e no que posso fazer de diferente para não repetir erros ou sentir-me menos mal quando determinada situação acontece. Fica, sem dúvida, mais fácil criar empatia connosco quando conseguimos criar empatia com o mundo. As emoções não diferem muito entre nós, as situações também não e no fundo todos acabamos na procura de algo semelhante.

De resto, tem sido engraçado compreender como consigo ter mais controlo sobre as emoções a partir do momento que sei e compreendo como posso influencia-las, senti-las, interpreta-las. Teria dado jeito esta compreensão em todos os momentos que senti o tapete a fugir debaixo dos pés. Mas vou aprendendo algo novo todos os dias.


1 comentário:

  1. Nossa...me identifiquei pra caramba com esse seu texto...meio que acho que é culpa do chamado "retorno de Saturno"...rs.
    Mas o mais legal mesmo é chegar nesse ponto de compreensão de si mesmo e perceber que isso muda a vida de uma tal forma que me lembro dando risada de como fui capaz de complicar tanto situações tão simples!
    Belo texto Sílvia! Abs!

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