Um brinde ao despedimento

Na verdade eu e quem faz parte da minha vida vivemos numa dimensão completamente diferente do resto do mundo.
Depois de um tão desejado despedimento do seu trabalho, adiado por razões óbvias ligadas à situação económica, eis que chegou a altura da entrega da tão desejada carta de demissão por parte de uma amiga minha. O brilho no olhar, o sorriso no rosto, a expressão de alívio por ter-se visto livre de uma situação que só causava-lhe dores de cabeça levaram-nos a brindar à situação.  Até fiquei radiante por ela. Quantos não são os que brindariam por arranjar emprego mas nós não, brindamos porque ela finalmente despediu-se e confesso que adoraria estar a brindar pelo meu também.
Infelizmente com esta situação brindaremos também mais tarde a outra despedida, quando ela for para Espanha à procura de trabalho, deixando-me sem a sua companhia. Mas fico imensamente feliz por ela, por estar a arriscar e a lutar por algo que acredita e por mudar de vida.
E ontem assim lá estivemos, de copo em riste porque merecemos estes momentos, porque a vida é para ser celebrada de todas as formas e porque cremos que há sempre algo melhor à espreita.
Que seja doce minha amiga, que seja doce!

2 comentários:

  1. Há 7 anos atrás, quando me despedi da empresa onde estive alguns anos, organizei uma jantarada para festejar. Foi o maior alívio que senti em toda a minha vida. Lembro-me que saí da empresa quase a correr, como se precisasse de explodir, e assim que cheguei a casa desatei aos pulos de alegria. Andei semanas e semanas com um sorriso de orelha a orelha, tal era o alívio que sentia.
    Por isso, entendo perfeitamente esse brinde, esse sentimento de libertação de algo que nos sufoca, seja lá qual for o motivo.

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  2. Depois de 7 anos a acompanhar o sacrifício da minha amiga também entendi bem aquele brilho no olhar. Era algo já muito desejado que só mesmo impedimentos financeiros não deixavam concretizar. E por isso também eu desejei brindar pelo mesmo. Talvez um dia...
    O trabalho é muito importante mas o sentirmos-nos de saúde e felizes não há dinheiro que pague.

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