Descobrir o que a madrugada diz

Acordo todos os dias de madrugada. Nunca me dei ao trabalho de verificar a hora, apenas rezo sempre para que seja muito cedo e muito tempo falte até o despertador soar.
Meu gato está lá, a pedir carinho, atenção. Notívago que é, carrega baterias de dia, quer tolices à noite. 
Consigo sempre falar com ele, dar-lhe um mimo. Fica todo contente, ronorona alto, aninha-se colado a mim, mama na cauda, um vício dos tempos de menino. Esta noite não foi diferente com a excepção de que senti-me mais desperta, apesar do ardiume nos olhos, meu despertar foi melhor e consegui permanecer acordada por mais tempo.
Já li em vários sítios e por várias vezes que devemos aproveitar os momentos de madrugada para escutar o que o silêncio nos fala e para escrever. Agora que passo uma revista na noite anterior, penso que teria sido bom se tivesse aproveitado para pegar num bloco notas e numa caneta e tentado ver o que dali sairia, àquela hora, naquele semi-acordada. O gato ficaria radiante se me visse mais desperta, de luz ligada. Era sinónimo de festa, de fim da solidão nocturna. Meu único receio é punir-me de manhã por falta de dormida, ou ver o meu rendimento diurno diminuir pelo cansaço. Mas não sei o que a madrugada poderá oferecer-me, creio ser um bom momento para encarar, uma vez que já não existem pensamentos assombrosos, medos, fantasmas do presente ou do passado que evitava confrontar. Talvez a minha mente seja um diamante em bruto naquele momento, talvez consiga os textos que tanto busco para criar um livro, talvez os segredos da noite se revelem para mim, comigo, com o gato. Talvez consiga conhecer o meu alter-ego, vivo na ânsia de saber quem é, se o nome que lhe arranjei corresponde.
Fica o plano para uma próxima noite em que a mente volte a quebrar o ciclo do sono. Não esquecer de preparar as armas: bloco notas e caneta!!

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